O Porto dos Almadas

O Porto dos Almadas

Ao arrumar alguns livros e revistas na minha biblioteca, deparei com o exemplar nº 110, de Julho de 1988, da revista "História", que continha um curioso artigo com o título em referência, da autoria de José Manuel Pedreirinho. Porque estes Almadas, João de Almada e Melo (1707-1786) e seu filho, Francisco de Almada e Mendoça (1757-1804), são antepassados de meu cunhado Joaquim Francisco de Almada Paes de Villas-Boas, pelos Condes de Tavarede, achei interessante divulgar esse trabalho, acrescentando uma árvore de descendência de Francisco de Mendoça Furtado, VI e ultimo Alcaide-Mor de Mourão, na sua família, avô do referido João de Almada e Melo e de Sebastião José de Carvalho e Melo, I Marquês de Pombal. Recordo ainda que Francisco de Mendoça Furtado era irmão consanguíneo do nosso avoengo Jerónimo de Mendoça Furtado e Albuquerque.




Serra de São Mamede, 6 de Outubro de 2017

Luis Bivar de Azevedo

A Catalunha na memória histórica familiar (Continuação)

A Catalunha na Memória Histórica Familiar

II. Jerónimo de Mendoça Furtado e Albuquerque (1630-1692)
 Quando o nosso antepassado Jerónimo de Mendoça partiu de La Valette, depois de ter servido cerca de 6 anos na Ordem de Malta como Cavaleiro, os castelhanos preparavam-se para sitiar Barcelona. Considerando que esta situação de guerra se revestia de grande importância, não só pelas relações de amizade e auxílio existentes entre Portugal e a Catalunha desde a Restauração, mas também pelo facto de o esforço militar de Castela nessa província aliviar a pressão militar sobre Portugal, Jerónimo de Mendoça decidiu acompanhar de perto os acontecimentos. Assim, de Gerona, passou disfarçado à Catalunha e aí percorreu as principais posições estratégicas, inteirando-se de todos os aspectos militares e logísticos, com vista a organizar uma eventual operação de socorro, a partir de Portugal.
Refira-se, a este propósito, que a revolução na Catalunha havia começado em meados de 1640, com o confronto entre os cavaleiros da montanha catalã e os radicais da Corte de Filipe IV. Com efeito, a revolta dos camponeses e da nobreza, arruinada pela alta de preços, a resposta violenta das tropas reais e o desencadear, a partir do "Corpus de Sangre", em 7.VI.1640, do terrorismo contra a aristocracia e a alta burguesia, estiveram na génese da revolução. Este movimento, apoiava-se politicamente numa coligação formada pela "Generalidad", os cavaleiros da fronteira e o Cardeal Richilieu. O Conde-Duque de Olivares tentou subjugar os catalães pela força, o que provocou a adesão da maior parte dos hesitantes. Foi então proclamada uma efémera república independente, para algum tempo depois Luis XIII, Rei de França, se assumir como Conde de Barcelona. A Catalunha transformou-se, assim,  num campo de batalha entre a Espanha e a França. A guerra desenvolveu-se em torno da disputa das praças de Tarragona, a sul, Perpignan, a norte e Lerida, a oeste. Na primeira praça os catalães conseguiram resistir às investidas espanholas; Perpignan caiu em poder dos franceses (29.VIII.1642); e Lerida foi ocupada por Filipe IV (31.VII.1644)...
De toda esta situação era conhecedor Jerónimo de Mendoça, pelo que, regressado a Lisboa, se apressou a relatar a D. João IV o que presenciara, oferecendo-se para organizar uma operação de socorro. Não tinha ainda 20 anos e talvez por esse facto, a sua proposta não foi tida em devida consideração, tendo-lhe o Rei dito que " a sua idade parecia ainda verde para empenhos de tanta consequência..."
Frustradas as perspectivas de expandir o espírito de luta que, de resto, havia
 de estar presente em todas as situações da sua agitada vida, recolheu a Mourão, onde seu irmão Francisco era o Alcaide-Mor, na ausência do pai, Pedro de Mendoça Furtado, um dos líderes da Restauração de 1640 e, então, Guarda-Mor do Rei D. João IV.
Alguns anos depois, Jerónimo de Mendoça distinguir-se-ia nas guerras da restauração, sendo pelos seus feitos nomeado Governador e Capitão General de Pernambuco. Em 1673, haveria de ser acusado cúmplice de seu irmão Francisco, em virtude de não o ter denunciado como cabeça da conspiração organizada para repôr o Rei D. Afonso VI no trono de Portugal. Tendo Francisco de Mendoça fugido para Espanha, achando-se como Vice-Rei da India o seu outro irmão, Luis, Conde de Lavradio, recaiu sobre Jerónimo toda a ira do Regente D. Pedro, futuro Rei absoluto D. Pedro II, que o manteve preso durante 7 anos, confiscando-lhe os bens e impedindo-o de suceder a seu irmão Luis no título e no morgado da Quinta da Bacalhôa. Acabou os seus dias exilado na India.
Excertos do livro "Historia e Genealogia dos Mendoça Furtado, Alcaides-Mores de Mourão (1476.1674), 2001, de minha autoria, trabalho de investigação, em que tive a honra e o prazer de tentar reabilitar a memória deste nosso antepassado, tão maltratado pela História e pelos poderes e intrigas palacianas de um absolutismo em crescendo.

III. Luis Garcia de Bivar (1685-1760)
Vivia-se, então, uma época agitada. Filipe V, Rei de Espanha declarara guerra a Portugal, após D. Pedro II ter aderido à Quádrupla Aliança (Inglaterra, Holanda, Suécia e Dinamarca) contra a França, apoiando, assim, a pretensão do Arquiduque Carlos, futuro Imperador Carlos VI da Austria, à sucessão no trono de Espanha, em prejuizo de Filipe de Anjou (Filipe V, Rei de Espanha), neto e presuntivo herdeiro de Luis XIV de França. 
Luis Garcia de Bivar, depois de ter servido em diversas praças do Alentejo, como Arronches e Campo Maior e em Albuquerque, sob o comando do I Conde das Galveias e do III Conde de São Vicente, levantou à sua custa uma companhia de cavalos, assumindo o seu comando como capitão, tendo sido destacado para Campo Maior, onde se bateu em vários encontros com o inimigo. No início de 1706, a sua companhia foi incorporada no exército de D. António Luis de Sousa, II Marquês de Minas, que conseguira concentrar num só corpo todas as tropas aliadas, formando uma força de 30.000 homens, preparados para invadir Espanha. Este exército, entrando por Badajoz, queimou Brossas, tomou Alcântara e seguindo na sua marcha vitoriosa, conquistou Ciudad Rodrigo, onde o esquadrão de Bivar perdeu um soldado e 12 cavalos, Salamanca, onde o Arquiduque Carlos foi aclamado como Carlos III, Rei de Espanha, Cória, Placência, Moreleja, etc. Entretanto, D. Pedro de Noronha, II Conde de Vila Verde e futuro I Marquês de Angeja, partiu para Madrid para tomar posse da cidade, em nome de Carlos III. Segóvia, Toledo, Ávila e Talavera renderam-se. Finalmente, em 28 de Junho de 1706, o Marquês de Minas entra vitorioso em Madrid.
Luis Garcia de Bivar, cujo desempenho em combate e desembaraço em missões de alto risco e secretismo, haviam suscitado a atenção e consideração de Marquês de Minas, foi por este enviado de Madrid à Catalunha, com missiva ao General Charles Mordaunt, Conde de Peterborough, comandante do exército dessa província, para que se lhe reunisse, o mais rápidamente possível, em Madrid, a fim de reforçar e consolidar a ocupação da capital, o que, como é sabido, não ocorreu em tempo, fazendo gorar o sucesso da conquista da capital e, consequentemente, inverter o rumo da campanha.
Luis Garcia de Bivar, continuou a parcipar activamente em todas as acções militares de importância, distinguindo-se pelo seu valor e abnegação, até à celebração do tratado de Paz de Utrecht, em 11 de Abril de 1712. Regressado à Corte, foi nomeado Ajudante de Ordens do Mestre de Campo General, D. Nuno Álvares Pereira de Melo, I Duque de Cadaval, depois com as mesmas funções junto do Governador das Armas da Corte e da Estremadura, D. Diogo de Noronha, III Marquês de Marialva, tendo sido promovido a Coronel, exercendo também as funções que hoje corresponderiam a Inspector ou Director da Arma de Cavalaria. Manteve-se como braço direito do Marquês de Marialva até ser nomeado, no posto de General de Batalha, como Governador da Nova Colónia do Sacramento e Terras Confinantes do Uruguay, onde faleceu. Casou com sua prima co-irmã, D. Ana Josefa de Bivar Albuquerque de Mendoça, trineta e representante de Jerónimo de Mendoça Furtado e Albuquerque, mencionado no parágrafo II.

Serra de São Mamede, Alto Alentejo, 3 de Outubro de 2017

Luis Bivar de Azevedo
 
 


A Catalunha na memória histórica familiar


Os recentes acontecimentos na Catalunha, suscitaram o interesse em pesquisar, no arquivo de família, alguma relação de antepassados nossos com esse antigo principado. Dessa consulta resultou o que se segue.
I. D. Alonso de Aragón (1415-1485)
Filho natural de D. Juan II, Rei de Aragão e de Navarra, enquanto solteiro, havido em D. Leonor de Escobar, Dama da Rainha D. Leonor de Albuquerque, mãe daquele Rei. D. Alonso, conhecido como "o Espada" de seu pai, pelo apoio militar que, ao longo da sua vida, lhe proporcionou, foi I Duque de Vilahermosa, I Conde de Ribargoza, Senhor e Conde de Cortes, Senhor de Igualada, na Catalunha, XXVII Mestre da Ordem de Calatrava, Capitão General do Reino de Navarra, Generalíssimo das Armas e Capitão General do Principado da Catalunha, Vice-Rei, Governador e Capitão General do Reino de Castela e Leão. Segundo a historiadora Sophia Menache, da Universidade de Haifa, D. Alonso de Aragón "personaliza o ideal cavalheiresco do medievo tardio, seja pela completa abnegação ao seu pai e senhor ou pelos Reis Católicos, seja pela sua valentia no campo de batalha ou pelo culto do belo sexo". Casou aos 60 anos com D. Leonor de Sottomayor y Portugal, Duquesa de Cortes, com geração extinta. Porém, da formosa D. Maria Junquers, uma nobre catalã, dos Senhores de Mas, por quem se apaixonou, durante a sua estadia com tropas em Ampurdán, na Catalunha, teve 2 filhos com larga descendência.
1. D. Juan de Aragón, II Conde de Ribargoza, I Duque de Luna, de que descendem, em Espanha, os Duques de Villahermosa até hoje;
2. D. Leonor de Aragón, casada com D. Jaime de Milan y Borgia, I Conde de Albayda, com geração em Espanha nos Marqueses-Condes de Albayda. Em Portugal, são 4.os avós maternos do nosso avoengo Jerónimo de Mendoça Furtado e Albuquerque (1630-1692), Governador e Capitão General de Pernambuco, heróico combatente das Guerras da Restauração, nomeadamente no Combate de Arronches e na Batalha do Ameixial, irmão e presuntivo herdeiro de seu irmão, D. Luis de Mendoça Furtado e Albuquerque (1627-1677), Vice-Rei da India, Conde de Lavradio (antigo,1670), VIII Senhor do Morgado, Quinta e Palácio da Bacalhôa, em Azeitão. Dos I Condes de Albayda foi ainda bisneta D. Maria de Aragão, casada com D. Henrique Henriques, Senhor de Alcáçovas, antepassados, entre outros, dos Condes de Tavarede.
Continua...

Luis Bivar de Azevedo

Para mais informação consultar: "Manoel de Portugal. Notas Históricas e Genealógicas", Lisboa, 1997, de minha autoria e/ou este blog em "Genealogias: Manoel de Portugal", 16.03.13.

 
BARCELOS NOS NOSSOS COSTADOS

Resenha dedicada a minha irmã Maria Gabriela de Bivar Salema de Azevedo Villas-Boas


. D. João Afonso Teles (+ 1304)
 I Conde de Barcelos, por mercê do Rei D. Dinis, em 8.V. 1298, o primeiro condado territorial em Portugal, IV Sr. de Albuquerque, Sr. de Medellin e Alconchel, Mordomo-Mor desse soberano, negociador do tratado de Alcanices. C.c. D. Teresa Sanchez, filha bastarda de Sancho IV, Rei de Castela, havida em D. Maria Alonso de Menezes. Tiveram D. Teresa Martins, V Sra. de Albuquerque, fundadora com seu marido do Mosteiro de Franciscanas de Santa Clara de Vila do Conde (1318). C.c.D. Afonso Sanches, Sr. de Vila do Conde e Campo Maior, filho bastardo de D. Dinis, Rei de Portugal, havido em D. Aldonça Rodrigues Telha. Com geração em Bivar Weinholtz, através do costados Albuquerque Gomide/Mendoça Furtado.

. D. João Afonso Teles de Menezes (1381)
 Alferes-Mor de D. Pedro I e Mordomo-Mor de D. Fernando, Reis de Portugal. Por mercê de D. Pedro I, em 10.X.1357, foi-lhe concedido o título de Conde de Barcelos, sendo o 5º na ordem de sucessão. Cerca de 1371, renunciou a este título, a favor de seu filho segundo, sendo-lhe atrbuído o título de Conde de Ourém. Foi ainda Alcaide-Mor de Portalegre, Sr. de Caminha, Valença do Minho, Penela, etc. Fundou o Mosteiro de Frades Eremitas de Santo Agostinho, em cuja Igreja da Graça, jaz sepultado com sua mulher. C.c. D. Guiomar de Vila-Lobos, filha de Lopo Fernandes Pacheco, Sr. de Ferreira d'Aves, e de sua mulher D. Maria Rodrigues de Vila-Lobos. Foram os avós paternos de D. Pedro de Menezes, I Conde de Vila Real, II Conde de Viana, I Capitão Donatário e Governador de Ceuta, Alferes-Mor do Reino, etc, que teve de D. Isabel Domingues, a "Pessegueira", D. Duarte de Menezes, II Conde de Viana, tronco dos Condes de Tarouca, e D. Joana de Menezes casada em Castela com Afonso de Bivar, tronco dos Bivar Weinholtz.

. Pedro de Mendanha (c.1430)
 Foi, juntamente com outros fidalgos castelhanos, como Alonso Garcia de Chaves e Afonso de Bivar, um indefectível apoiante da causa da Princesa de Castela D. Joana, a Excelente Senhora (ou Beltraneja, segundo os seus adversários), sobrinha e protegida de D. Afonso V, Rei de Portugal. Pedro de Mendanha era Alcaide-Mor de Castro Nuño, que depois da batalha de Toro se tornou no bastião daquela causa, mas também o alvo das investidas dos castelhanos e aragoneses. Não obstante a corajosa defesa, o Alcaide Pedro de Mendanha, não conseguiu resistir ao cerco e foi forçado a negociar os termos da rendição com Fernando de Aragão, futuro "Rei Católico" (com Isabel de Castela).
Embora lhe fosse garantida a restituição das honras, privilégios e bens que possuía em Castela, Pedro de Mendanha preferiu ficar em Barcelos, de cujo castelo foi Alcaide-Mor, por mercê de D. Afonso V. Aqui se fixou com sua mulher, D. Inês de Benevides, e com seus filhos, com larga descendência.
Pedro de Mendanha era meio-irmão de Pero Garcia de Chaves, filho do 2º casamento de seu pai, Luis de Mendanha com D. Ana Garcia de Chaves. Pero Garcia de Chaves passou de Ciudad Rodrigo a Almeida onde fixou residência, sendo aí referenciado como vassalo do Rei D. João II com armas e cavalos. Algum tempo depois é eleito Procurador do Concelho de Almeida e nesta qualidade é o 1º subscritor do requerimento para o novo foral da vila, em 6.XI. 1506. Outro dos subscritores do documento é seu filho Pero Garcia, depois alcunhado de "o Rico", Escudeiro-Fidalgo da Casa do Rei D. Manuel I, fundador e o 1º Provedor da Misericórdia de Almeida e instituidor da Capela Vinculada de São João, em Almeida. Este Pero Garcia e sua mulher, D. Catarina Fernandes, tiveram 9 filhos, cuja descendência toca a maior parte da Nobreza Histórica de Portugal. No entanto, a unica linha que manteve, durante 3 séculos, o nome Garcia foi a de seu filho Duarte Garcia, pai de Isabel Garcia, casada com Manuel de Bivar, 3º neto, na varonia, de Afonso de Bivar, o já citado apoiante de D. Afonso V e tronco dos Bivar Weinholtz.

. Fernão Dias Borges
 Alcaide-Mor de Barcelos, Fidalgo do Conselho de D. João II. Filho de Diogo Gonçalves Borges, Sr. da Torre de Moncorvo, Comendatário de São Miguel de Refóios e das Quintas de Joia e Corgo, e de sua mulher D. Maria Lourenço de Castro. C.c. D. Catarina Álvares e teve uma unica filha, D. Branca Borges que c.c.seu primo Pedro Vaz de Castro, Fidalgo da Casa de D. João II, com geração em Bivar de Azevedo, através do costado Possolo.

. Torre de Azevedo, em Barcelos
Construída entre os séculos X e XI, restaurada e acrescentada em várias épocas, integrava o imemorial Couto e Honra de Azevedo, possuido por gerações de Ricos-Homens e Infanções de apelido Azevedo, oriundos da estirpe dos de Baião, uma das 5 linhagens que "andaram a la guerra a filhar el reino de Portugal" e são as fundadoras das famílias históricas portuguesas.
Uma das figuras mais notáveis desta família foi D. Lopo Dias de Azevedo, XIV Sr do Couto e Honra de Azevedo, VII Sr. da Quinta de Crastro, I Sr. de São João de Rei, Aguiar de Pena, Jales e Terras de Bouro, etc., eleitor do Mestre de Avis nas Cortes de Coimbra, seu companheiro, então Rei D. João I, na jornada de Ceuta, c.c. D. Joana Gomes da Silva, filha do Rico-Homem Gonçalo Gomes da Silva, Sr. de Vagos, Chefe dos Silva, e de sua mulher D. Leonor Gonçalves da Fonseca Coutinho. Destes foram seus filhos, entre outros:
1. Lopo Dias de Azevedo (II)
 Sr. da Ponte de Sôr, Aguiar de Pena, Alcaide-Mor de Sintra etc, partidário do Infante D. Pedro , o da Alfarrobeira, C.c. D. Brites Garcez, dama aragonesa. Tiveram D. Aldonça de Azevedo, c.c Pedro de Bivar, com geração em Bivar Weinholtz Fora do casamento, Lopo Dias de Azevedo teve António de Azevedo, cuja descendência se fixou em São Pedro de Penaferrim, Sintra, de onde um seu descendente terá passado a Goa, na segunda metade do século XVIII, aí constituindo o ramo dos Azevedo de Goa.
2. João Lopes de Azevedo (+1433)
II Sr. de São João de Rei, das Terras do Bouro e da Quinta do Paço, Vila Real. C.c. D. Leonor Leitão, filha de Vasco Martins Leitão, Sr. da Ota e Albufeira, Alcaide-Mor de Portalegre e de sua mulher D. Inês Afonso Pimentel. Destes nasceu, entre outros, D. Beatriz de Azevedo c.c. Vasco Martins de Melo, Guarda-Mor de D. João I e de D. Duarte, Alcaide-Mor de Évora e de Castelo de Vide. Com geração em Bivar Weinholtz, através do costado Mendoça Furtado.
3. D. Filipa de Azevedo
C.c. Luis Gonçalves Malafaya, Rico-Homem, Embaixador a Castela e Roma, Vedor da Fazenda de Lisboa, achou-se na tomada de Ceuta. Foram os progenitores dos Azevedo Malafaya que passaram à India, em 1758, nas pessoas dos irmãos D. Luis Inácio e D. José de Ataíde de Azevedo Malafaya, ambos oficiais do exército do Reino, sendo o segundo antepassado dos Azevedo Queiroz, a que pertencia D. Maria Angelica de Azevedo Queiroz c.c. o Coronel do Exército da India José Xavier de Azevedo, com geração nos Azevedo de Goa.
4. D. Maria de Azevedo
Havida fora do casamento, c.c. Gonçalo Anes Borges, Sr. da Terra de Álvaro, Beira, das Honras de Calvos, Arco do Boelhe e Ourilhe, Basto. Com geração em Bivar de Azevedo, através do costado Possolo.
Luis Bivar de Azevedo

Quinta da Ribeira de Caparide II

QUINTA DA RIBEIRA DE CAPARIDE II

 Com vista a completar a notícia oportunamente dada neste blogue sobre a quinta em referência, vimos juntar alguns dados que julgamos significativos.

. A quinta fazia parte da herança de Brites Mendes de Brito, filha herdeira de Diogo Mendes de Brito e neta de Simão Pires de Solis, figura conhecida da comunidade cristã-nova de Lisboa, que terá adquirido, em 1592, a propriedade do Campo de Sant'Ana, onde, em 1748, seria construído o palácio dos Sanches de Brito.

. Estamos convencidos que o mesmo Simão Pires de Solis, terá adquirido, pela mesma altura, ou seja, em finais do século XVI, princípios do Século XVII, a Quinta da Ribeira de Caparide, que por herança passaria a sua neta Brites Mendes de Brito, casada com Nuno Dias Sanches (+1630), filho de Manuel Dias Sanches, Provedor dos Armazéns (1581-1598).

. Desse casal nasceu Francisco de Brito Sanches, proprietário documentado da quinta, casado com Maria da Silva Peixoto, deles nascendo Alvaro Sanches de Brito, em 27.12.1656, que intercalava a sua residência entre as casas nobres do Campo de Sant'Ana e a sua Quinta de Caparide.

. Alvaro Sanches de Brito não casou, mas teve de Antónia Maria da Costa, natural de Caparide, a João da Costa de Brito, que foi Capitão de Mar-e-Guerra e Cavaleiro da Ordem de Cristo, senhor da Quinta de Caparide, tendo iniciado a construção do palácio dos Sanches de Brito no Campo de Sant'Ana, em Lisboa.

. João da Costa de Brito não casou, mas teve de Teresa Clara de Jesus, natural de Lisboa, a José Sanches de Brito (1724-1797), Tenente General e Almirante da Armada, Fidalgo da Casa Real, Comendador de Santa Maria de Lagoa, na Ordem de Cristo, senhor da Quinta de Caparide, que veio a casar com Louise Margarethe Eleanor de Weinholtz, Açafata da Rainha D. Mariana de Austria, filha  de Friedrich Jakob de Weinholtz, dos Weinholtz de Rendsburg ( Sleswig-Holstein), oficial de artilharia que se distiguiu ao serviço de Frederico IV, Rei da Dinamarca e do Imperador Carlos VI, inventor da "artilharia Weinholtz", sendo convidado para reorganizar a Artilharia portuguesa, de que foi coronel e o primeiro Comandante do Regimento de Artilharia da Corte, aquartelado no Forte de São Julião da Barra, e de sua mulher Marie Elisabeth de Wedderkop, dos Barões (Freiherren) de Wedderkop, de que a figura mais conhecida é Magnus de Wedderkop (1637-1721), jurista, diplomata, Primeiro-Ministro do Ducado de Holstein, sob os Duques Friedrich e Karl Friedrich. 

. Como nota complementar, diremos ainda que os Weinholtz em Portugal são representados na actualidade pela família Bivar Weinholtz, descendente do Brigadeiro Friedrich Antonius Jakob de Weinholtz, irmão primogénito da referida Louise Margarethe Eleanor de Weinholtz, casado com Feliciana Teutónia de Bivar Albuquerque de Mendoça, VI Senhora da Casa Bivar.

. Foi o casal Sanches de Brito-Weinholtz que fez construir, por volta de 1759, o palácio da Quinta da Ribeira de Caparide, que ostenta na sua parte frontal o escudo composto de Weinholtz e Sanches de Brito (Costa, Sanches e Brito), encimado por um coronel de nobreza.

. Desse casal foi filho primogénito Alvaro Sanches de Brito, Capitão de Mar-e-Guerra da Armada Real, Fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo, que sucedeu na propriedade da Quinta e respectivo palácio, não tendo casado, mas havido uma filha natural, no Brasil, falecida solteira, em vida de seu pai.

. Alvaro Sanches de Brito venderia a Quinta da Ribeira de Caparide, antes de 1796 (ano do seu falecimento), a Francisco Duarte Coelho, Fidalgo da Casa Real, que em 1839 casou com Maria da Penha de França Baena Falcão de Magalhães, nascendo duas filhas deste casamento. Esta senhora, enviuvando em 1843, voltou a casar, em 1850, com seu primo D. Martinho de França Pereira Coutinho, passando a Quinta, julgamos que por acordo negocial, para a posse deste casal e sua descendência, até que, em 1984, os Pereira Coutinho chamados "da Quinta da Ribeira de Caparide", vendem a Quinta e palácio ao Patriarcado de Lisboa, que aí instalou o Seminário de São José.

Luis Bivar de Azevedo



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