Quinta da Ribeira de Caparide II

QUINTA DA RIBEIRA DE CAPARIDE II

 Com vista a completar a notícia oportunamente dada neste blogue sobre a quinta em referência, vimos juntar alguns dados que julgamos significativos.

. A quinta fazia parte da herança de Brites Mendes de Brito, filha herdeira de Diogo Mendes de Brito e neta de Simão Pires de Solis, figura conhecida da comunidade cristã-nova de Lisboa, que terá adquirido, em 1592, a propriedade do Campo de Sant'Ana, onde, em 1748, seria construído o palácio dos Sanches de Brito.

. Estamos convencidos que o mesmo Simão Pires de Solis, terá adquirido, pela mesma altura, ou seja, em finais do século XVI, princípios do Século XVII, a Quinta da Ribeira de Caparide, que por herança passaria a sua neta Brites Mendes de Brito, casada com Nuno Dias Sanches (+1630), filho de Manuel Dias Sanches, Provedor dos Armazéns (1581-1598).

. Desse casal nasceu Francisco de Brito Sanches, proprietário documentado da quinta, casado com Maria da Silva Peixoto, deles nascendo Alvaro Sanches de Brito, em 27.12.1656, que intercalava a sua residência entre as casas nobres do Campo de Sant'Ana e a sua Quinta de Caparide.

. Alvaro Sanches de Brito não casou, mas teve de Antónia Maria da Costa, natural de Caparide, a João da Costa de Brito, que foi Capitão de Mar-e-Guerra e Cavaleiro da Ordem de Cristo, senhor da Quinta de Caparide, tendo iniciado a construção do palácio dos Sanches de Brito no Campo de Sant'Ana, em Lisboa.

. João da Costa de Brito não casou, mas teve de Teresa Clara de Jesus, natural de Lisboa, a José Sanches de Brito (1724-1797), Tenente General e Almirante da Armada, Fidalgo da Casa Real, Comendador de Santa Maria de Lagoa, na Ordem de Cristo, senhor da Quinta de Caparide, que veio a casar com Louise Margarethe Eleanor de Weinholtz, Açafata da Rainha D. Mariana de Austria, filha  de Friedrich Jakob de Weinholtz, dos Weinholtz de Rendsburg ( Sleswig-Holstein), oficial de artilharia que se distiguiu ao serviço de Frederico IV, Rei da Dinamarca e do Imperador Carlos VI, inventor da "artilharia Weinholtz", sendo convidado para reorganizar a Artilharia portuguesa, de que foi coronel e o primeiro Comandante do Regimento de Artilharia da Corte, aquartelado no Forte de São Julião da Barra, e de sua mulher Marie Elisabeth de Wedderkop, dos Barões (Freiherren) de Wedderkop, de que a figura mais conhecida é Magnus de Wedderkop (1637-1721), jurista, diplomata, Primeiro-Ministro do Ducado de Holstein, sob os Duques Friedrich e Karl Friedrich. 

. Como nota complementar, diremos ainda que os Weinholtz em Portugal são representados na actualidade pela família Bivar Weinholtz, descendente do Brigadeiro Friedrich Antonius Jakob de Weinholtz, irmão primogénito da referida Louise Margarethe Eleanor de Weinholtz, casado com Feliciana Teutónia de Bivar Albuquerque de Mendoça, VI Senhora da Casa Bivar.

. Foi o casal Sanches de Brito-Weinholtz que fez construir, por volta de 1759, o palácio da Quinta da Ribeira de Caparide, que ostenta na sua parte frontal o escudo composto de Weinholtz e Sanches de Brito (Costa, Sanches e Brito), encimado por um coronel de nobreza.

. Desse casal foi filho primogénito Alvaro Sanches de Brito, Capitão de Mar-e-Guerra da Armada Real, Fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo, que sucedeu na propriedade da Quinta e respectivo palácio, não tendo casado, mas havido uma filha natural, no Brasil, falecida solteira, em vida de seu pai.

. Alvaro Sanches de Brito venderia a Quinta da Ribeira de Caparide, antes de 1796 (ano do seu falecimento), a Francisco Duarte Coelho, Fidalgo da Casa Real, que em 1839 casou com Maria da Penha de França Baena Falcão de Magalhães, nascendo duas filhas deste casamento. Esta senhora, enviuvando em 1843, voltou a casar, em 1850, com seu primo D. Martinho de França Pereira Coutinho, passando a Quinta, julgamos que por acordo negocial, para a posse deste casal e sua descendência, até que, em 1984, os Pereira Coutinho chamados "da Quinta da Ribeira de Caparide", vendem a Quinta e palácio ao Patriarcado de Lisboa, que aí instalou o Seminário de São José.

Luis Bivar de Azevedo



Livro "O Recontro de Arronches. 8 de Novembro de 1653"


 Ex.mo (a) Senhor (a)

Vimos anunciar a publicação do livro em referência, da autoria de Luís Bivar de Azevedo, cujo lançamento ocorrerá em Arronches, em local e data a indicar oportunamente.
O livro, colado, com cerca de 120 páginas, de formato A/5, capa dura, impressa a 4 cores, miolo impresso a preto/branco, com várias gravuras a cores, tem uma tiragem de 300 exemplares, numerados e assinados pelo autor, sendo o preço unitário de 8 euros para subscritores (até 10 de Fevereiro de 2016) e de 10 euros para outros, valores aos quais acrescerão eventuais portes de correio.
Passamos a indicar o Índice do livro em questão:
. Agradecimento
. Introdução
. Enquadramento histórico
. Arronches na segunda metade do século XVII
. O Recontro de Arronches
. Os Combatentes (biografia dos principais combatentes e referência à sua descendência: Baltazar Pereira de Castelo Branco, João da Ponte Cabreira, Fernão da Mesquita Pimentel, D. João da Costa, Conde de Soure, André de Albuquerque Ribafria, João da Sila e Sousa, D. Pedro de Almeida, Conde de Assumar, D. Fernando da Silva, D. Pedro de Lancastre, Jerónimo de Mendoça Furtado e Albuquerque)
. Documentos

O pagamento da publicação pode ser efectuado:
. por vale postal ou cheque a favor de Duarte Torres de Carvalho;
. contra entrega, por via postal, depois de 10 de Fevereiro de 2016

Os nossos melhores cumprimentos









Rua 5 de Outubro, 41 – 7340-014 Arronches – Tel.245580149 / Tlm.91826952
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Episódios da História da Índia Portuguesa. Condutas Exemplares

Em meados de Março de 1821, depois de ter chegado a Goa a notícia do sucesso da revolução liberal de Agosto de 1820, algumas das principais figuras movimentaram-se no sentido de depôr o Vice-Rei, D. Diogo de Sousa, I Conde de Rio Pardo, e de instaurar a nova ordem. Conseguido o apoio dos chefes militares, as tropas sairam dos quarteis, na madrugada do dia 16 de Setembro de 1821, com o objectivo de cercar o palácio do Vice-Rei.
No meio de vivas à Constituição e de grande alvoroço, os Marechais Joaquim Manuel Correia da Silva e Gama e Manuel Godinho de Mira e os Desembargadores Manuel Duarte Leitão e João Maria de Abreu Casttelo Branco, futuro I Visconde de Fornos de Algodres e o Fisico-Mor António José de Lima Leitão, acompanhados por um troço de granadeiros, comandados pelo Tenente Manuel Francisco Correia, filho do Marechal Correia da Silva e Gama, forçaram a entrada do palácio e dirigiram-se ao Vice-rei na qualidade de representantes do povo e das tropas.
O Vice-rei, fardado de Tenente General, encontrava-se na sua câmara, com as portas abertas, acompanhado pelo seu Ajudante, o Tenente Francisco Diogo Velez.
O Desembargador Manuel Duarte Leitão tomou a palavra, dizendo ao Vice-Rei que o país queria a Constituição que, como era público, a Nação portuguesa proclamara e o Soberano aceitara. O Conde respondeu-lhe, em tom moderado, que ignorava as mudanças políticas no Reino e que Sua Magestade de nada lhe dera conhecimento. Os conjurados , endureceram, então, a posição, replicando que o povo e a tropa estavam pela Constituição e que o seu governo acabara.. O Conde Vice-Rei, impertrubável, disse apenas: " Neste caso, eu nada tenho que dizer".
Propuseram os conjurados que o Conde se recolhesse ao Convento do Cabo, ao que este contrapôs ficar numa casa em Pangim, onde se devia instalar, provisóriamente,  o seu sucessor, o qual se aguardava para breve. Os revoltosos não aceitaram tal e , encurtando razões, decidiram que o Vice-Rei fosse imediatamente conduzido ao Convento do Cabo.
Transportado na "machila" do Marechal Godinho, o Conde foi escoltado por uma guarda de 30 soldados, comandados pelo então Tenente da Legião dos Voluntários Reais de Pondá, José Xavier de Azevedo.
Durante o percurso, o Tenente Tomé Peres, querendo saber quem era a pessoa que ia escoltada, bateu com a mão por baixo da "machila" e, reconhecendo o Vice-Rei, exclamou: "Levem com segurança este bicho". D. Diogo, em tom grave, mas calmo, retorquiu: "Vai bem seguro"!
Quando chegou ao Convento do Cabo, o Conde tirou da algibeira um valioso relógio de ouro com cadeia e ofereceu-o ao Tenente José Xavier de Azevedo, elogiando-o pela sua conduta irrepreensível no comando da escolta. Pediu depois a Frei Constantino de Santa Rita, guardião do Convento e seu fiel amigo, que lhe emprestasse 100 rupias, que ordenou fossem distribuídas pelos soldados.
Acrescento, por mera curiosidade, que José Xavier de Azevedo teve uma notável carreira militar, falecendo no posto de Coronel do Exército do Estado da India, tendo casado com Maria Angélica de Azevedo Queiroz, com larga geração na qual se inclui o autor destas notas, seu trineto.
O acima referido Tenente Manuel Francisco Correia da Silva e Gama casou com Maria Helena Possolo, com descendência que toca muitas famílas actuais, entre as quais a dos Condes de Mahem. Esta Maria Helena era irmã de outro meu trisavô paterno, António Frederico Guilherme Germack Possolo, Major Comandante da Praça de Diu, casado com Genoveva Cabral de Estefique, filha do Coronel João Cabral de Estefique, Governador de Macau, Membro do Conselho de Governo da India e Governador de Damão.
O Conde de Rio Pardo, neto da grande figura militar que foi o I Marquês de Minas,  não teve filhos, tendo o título passado a seu irmão, em cuja descendência se mantem a respectiva representação. Luis Bivar de Azevedo

CEUTA NOS NOSSOS COSTADOS

A propósito da passagem dos 600 anos da Jornada de Ceuta, recordo aos interessados que nesse acontecimento participaram, entre outros, 5 dos nossos avoengos, que são, também, figuras notáveis da História de Portugal.

1. Afonso Furtado
 Capitão-Mor do Mar, Anadel-Mor de Besteiros do Conto, no reinado de D. João I, por mercê deste soberano, Senhor das Quintas de Oliveira e de Telhada, do Paço do Lumiar, da Garra, em Vila Real, das Lezírias de Assumar, etc, o primeiro português a receber de John of Gaunt, Duque de Lancaster, o Livery Collar.
Ao planear a expedição a Ceuta, D. João I, com toda a prudência e para não pôr em risco, em campo mourisco, os exitos da Batalha de Aljubarrota, quis recolher o maior número de informações sobre aquela praça marroquina. Assim, decide enviar à Sicília o Prior do Hospital, D. Alvaro Gonçalves Camelo, e o Capitão-Mor do Mar, Afonso Furtado. O pretexto era pedir a mão da Rainha Branca de Navarra, viúva de Martim I, Rei da Sicília, para o Infante D. Pedro, em vez do Infante D. João, que se sabia ser o preferido dsa Rainha.
As galés dos enviados fizeram aguada em Ceuta, onde tiveram ocasião de efectuar o reconhecimento da praça, de forma minuciosa. Prosseguiram a sua viagem até à Sicília e aí, como se esperava, as suas propostas não foram aceites.. Regressados ao Reino, apresentaram ao Rei  D. João um relatório oficial da missão e, particularmente, transmitiram ao soberano as suas impressões pessoais sobre Ceuta. Afonso Furtado, não foi muito loquaz, limitando-se a afirmar que o Rei seria bem sucedido na empresa, ao que D. João insistiu para que se explicasse melhor. Afonso Furtado disse então que, em menino acompanhara seu pai a Ceuta e, nessa altura, ouvira um velho mouro profetizar que um rei de nome João, filho natural do rei defunto, seria o primeiro do seu reino a dominar África. Seja como fôr, essa viagem de reconhecimento contribuiu, certamente, para o sucesso da estratégia desenvolvida na conquista de Ceuta.
Afonso Furtado foi o tronco dos Mendonça Furtado portugueses, representados por várias linhas e ramos, entre as quais os Duques de Loulé, os Condes de Barbacena, os Condes de Mesquitela, os Marqueses de Sabugosa, os Viscondes de Vila Nova de Souto d' El-Rei, os Bivar Weinholtz, os Machado de Mendoça Cabral de Estefique, etc.
(Ver: "História e Genealogia dos Mendoça Furtado, Alcaides-Mores de Mourão. 1476-1674", 2001, minha autoria)

2. Martim Afonso de Melo (c.1365-1432)
Guarda-Mor de D. João I, Alcaide-Mor de Évora, Olivença, Castelo de Vide, Campo Maior, Senhor da Quinta de Água dos Peixes (Alvito), de Arega e de Barbacena, etc, filho de Vasco Martins de Melo, Caçador-Mor de D. Pedro I, Guarda-Mor de D. Fernando e de D. João I, Alcaide-Mor de Évora, Castelo de Vide e Santarém, Senhor de Castanheira, Povoa e Cheleiros e da Quinta da Água dos Peixes, e de sua mulher, D. Maria Afonso de Brito, Herdeira do Morgado de Arega.
Martim Afonso de Melo participou na preparação da expedição a Ceuta e no assalto, encontrando-se junto do Infante D. Henrique,m quando este saltou em terra, sendo a sua bandeira a primeira que entrou em praça. Pelos seus feitos, por ser entendido nas artes bélicas, tendo escrito o livro "Da Guerra", e pçor ser muito estimado pelo Rei D. João I, foi o escolhido para Capitão e Fronteiro de Ceuta. Recusou, porém, essa honra, ao que se sabe, por não querer sujeitar os seus companheiros de armas a mais esforços de guerra. Em sua substituição foi então nomeadop D. Pedro de Menezes, como adiante se dirá.
Martim Afonso de Melo casou 1º com D. Beatriz Pimentel e casou 2º com D. Briolanja de Sousa. Do 1º casamento descendem, entre outros, os Duques de Cadaval, os Duques de Lafões. Do 2º Casamento (os "Briolanjos") descendem, entre outros, os Condes de Alcáçovas, os Condes de Galvêas, os Melo Sampaio, os Bivar Weinholtz, os Condes de Tarouca, os Pereira Coutinho, etc

3. D. Pedro de Menezes (c.1374-1437)
II Conde de Viana do Alentejo, I Conde de Vila Real, em Portugal, Conde de Aillon e de Aguilar, em Castela, I Capitão Donatário e Governador de Ceuta, Alferes-Mor do Reino, filho de D. João Afonso Teles de Menezes e de sua mulher, D. Maior Portocarrero, Senhora de Vila Real.
Armou à sua custa 7 navios que integraram a armada que, em Agosto de 1415, largou rumo a Ceuta, comandada pelo próprio Rei D. João I, que era acompanhado pelos Infantes seus filhos.
D. Pedro de Menezes distinguiu-se com bravura na conquista da praça, sendo um dos que colocou a bandeira do Infante D. Duarte na torre de Fez, ganhando a honra de ser armado Cavaleiro no campo de batalha.
Depois da vitória, reunido o Conselho do rei, perante a recusa de Martim Afonso de Melo em aceitar o governo de Ceuta, D. Pedro de Menezes fez constar ao Mestre da Ordem de Cristo, D. Lopo Dias de Sousa, que estaria disposto a assumir tal responsabilidade. Conhecedor da pretensão de D. Pedro, D. João I não hesitou em nomeá-lo Capitão e Fronteiro-Mor de Ceuta, cargo em que foi investido pelo Infante D. Henrique, nesse mesmo mês de Agosto de 1415. No acto de investidura, D. Pedro jurou defender a praça com a sua vida, usando apenas a vara de zambujeiro - o aléu - de que então se servia por estar ferido numa perna. Esse aléu passou a constituir o símbolo de autoridade dos governadores de Ceuta e ainda hoje se encontra na imagem de Santa Maria de África, venerada em Ceuta.
Dos 3 casamentos de D. Pedro, apenas ficou descendência de D. Brites, herdeira da Casa de Vila Real, nascida do 1º casamento com D. Margarida de Miranda, filha natural do Arcebispo de Braga, D. Martinho Afonso Pires da Charneca, linha representada actualmente pelos Marqueses de Vagos.
D. Pedro de Menezes teve, no entanto, vários filhos bastardos, sendo o seu unico filho varão, D. Duarte de Menezes, III Conde de Viana do Alentejo, I Capitão e Governador de Alcácer-Ceguer, Alferes-Mor do Reino, com geração, entre outros, nos Condes de Sabugal, Marqueses de Santa Iria e nos Condes de Tarouca, Marqueses de Alegrete. Das filhas bastardas, D. Aldonça, casou 2º com Luis de Azevedo, Vedor da Fazenda e Embaixador, com geração em Marqueses de Abrantes; de D. Isabel, casada com Rui Gomes da Silva, Alcaide-Mor de Campo Maior e Ouguela descendem, entre outros os Azevedo Malafaya, Senhores da Honra de Barbosa e os Marqueses de Lavradio, de Castelo Melhor e de São Payo; de D. Joana, casada em Castela com Afonso de Bivar, fidalgo castelhano, apoiante da causa de D. Joana, "a Excelente Senhora ou a Beltraneja" e de D. Afonso V, descendem os Bivar Weinholtz e os Nápoles de Carvalho.
(Ver: "Menezes. Notas Históricas e Genealógicas, 1999, minha autoria)

4. Gonçalo Nunes Barreto 
Fronteiro-Mor do Algarve, Alcaide-Mor de Faro e de Loulé, do Conselho de D. João I, Instituidor do Morgado de Santa Catarina de Quarteira, em 19.IX.1413, por troca com o senhorio e alcaidaria de Cernache dos Alhos . Filho de Diogo Gonçalves Barreto, que passou a Castela ao serviço de Henrique II, pelo que lhe foram confiscados os bens, nomeadamente, Cernache dos Alhos, devolvidos por reclamação de sua mãe, D. Brites Fernandes Pimentel, herdeira desse senhorio.
Gonçalo Nunes Barreto foi um dos homens de confiança do Infante D. Pedro, acompanhando-o na jornada de Ceuta, como capitão das suas tropas, recrutadas por ele, Gonçalo Barreto, no Alentejo e no Algarve.
Gonçalo Nunes Barreto casou com D. Inês Coutinho, dos Senhores de Cantanhede e tiveram outro Gonçalo Nunes Barreto, sucessor no Morgado de Santa Catarina, Alcaide-Mor de Faro e Loulé e Comendador de Castro Verde, na Ordem de Santiago, casado com D. Isabel Pereira, filha do venerando D. Diogo Pereira, Comendador-Mor da Ordem de Santiago e Governador da Casa do Infante D. João. Deste Gonçalo Nunes Barreto provêm 3 linhas varonis com geração: a de Nuno Barreto, Senhores da Casa, Alcaides-Mores de Faro, de que descendem os Duques de Loulé; a de Pedro Barreto, Comendadores de Almada e Castro Verde, com descendência em Bivar Weinholtz; a de Afonso Teles Barreto, Senhores dos Direitos Reais da Barca de Albufeira e da Portagem de Loulé, com geração nos Marqueses de São Payo e nos Bivar Weinholtz.

5. Lopo Dias de Azevedo
XIV Senhor do Couto de Azevedo, VI Senhor da Vila de Souto de Riba Homem, VII senhor da Quinta de Crasto, das Terras do Bouro e Padim, I Senhor de São João de Rei, Aguiar de Pena, Jales, Reguengos de Albiche, Remolhe, Padroeiro de São Clemente de Basto, mercês confirmadas por D. João I, em Melgaço, no ano de 1426. Armado Cavaleiro pelo Mestre de Avis na batalha de Aljubarrota. Nas Cortes de Coimbra, que aclamaram D. João I, representou o braço da Nobreza, ocupando a cadeira 60. Apesar da avançada idade, acompanhou o Rei D. João I na jornada de Ceuta, capitaneando um dos navios da armada daquela expedição. Filho de Diogo Gonçalves de Azevedo (1329-1369), XIII Senhor do Couto de Azevedo e de sua mulher D. Aldonça Coelho.
 Lopo Dias de Azevedo casou com D. Joana Gomes da Silva, filha de Gonçalo Gomes da Silva, Chefe dos Silva, Senhor de Vagos, dos quais foram filhos, entre outros: Lopo Dias de Azevedo, Senhor de Ponte de Sor, Aguiar de Pena, etc, esteve na jornada de Ceuta com seu pai, casado com D. Brites Garcês, deles descendendo, por sua filha D. Aldonça, os Bivar Weinholtz e, por seu filho Pedro, os nossos Azevedo; João Lopes de Azevedo, II Senhor de São João de Rei e das Terras do Bouro, casado com D. Leonor Leitão, deles descendendo, por suas filhas Beatriz e Violante, os Bivar Weinholtz e, por sua filha Isabel, os Deslandes; D. Filipa de Azevedo, casada com Luis Gonçalves Malafaya, com geração em Azevedo Malafaya; e ainda D. Maria de Azevedo, filha bastarda, casada com Gonçalo Borges, dos quai descendem, entre outros os Bivar Weinholtz.

Luis Bivar de Azevedo




Pedro Vaz da Cunha, o Bisagudo, e o seu mapa-mundo

Pedro Vaz da Cunha, o Bisagudo, alcunha que lhe deram por caçar com um cajado de 2 pontas ferradas, foi o Capitão-Mor da Armada de 20 naus, que zarpou do Tejo, em Janeiro de 1489, rumo ao Senegal, levando de regresso o Rei Bemoin Gelem. Este havia ido a Portugal solicitar apoio a D. João II no conflito que o opunha ao "Grande Foula", o Rei Galacho, que dominava a região. Bemoin oferecia em troca terras suas, com vista à construção de uma fortaleza e à instalação de uma feitoria portuguesas. Durante a sua estadia em Portugal, Bemoin foi baptizado, recebendo o nome de D. João, sendo armado cavaleiro pelo soberano português.
Pedro Vaz Bisagudo, violando as instruções reais, matou Bemoin à chegada ao Senegal, aparentemente por suspeita de traição. João de Barros, no entanto, avança outra razão: "...o que mais condenou à morte D. João Bemoin foi começar alguma gente adoecer por ser lugar doentio que ele, Pero Vaz, mais temeu que a traição como quem havia de ficar na fortaleza depois que fosse feita." (Década I, Liv.III, Cap.VIII).
Regressado ao Reino, Pero Vaz não foi castigado, sendo este facto justificado pelos cronistas Rui de Pina e Garcia de Resende com o receio o Rei de que se descobrissem outros culpados... É, porém, possível que tivesse havido outra razão.
Com efeito, , sabe-se que o Bisagudo era possuidor de um mapa onde se assinalava a "tera firme", que seria o Brasil. Esse mapa, segundo alguns autores, era uma reprodução do mapamundi de Andrea Bianco (1448), onde aparece a "ixola otintiche a ponête 1500 mile". Desde 1486 havia a presunção de que do outro lado do oceano se estendia uma "terra firme", com localização de tal maneira aproximada, que levaria Mestre João Farás, piloto da Armada de Pedro Álvares Cabral, a escrever uma carta, de Vera Cruz, ao Rei D. Manuel I, em 1 de Maio dse 1500, cujo teor é o seguinte:"Quanto, Senhor, ao sítio desta terra, mande Vossa Alteza trazer um mapamundi que tem Pero Vaz Bisagudo, e por aí poderá verVossa Alteza o sítio desta terra,porém, aquele mapamundi não certifica esta terra ser habitada, ou não. É mapamundi antigo; e ali falará Vossa Alteza também a Mina (Alguns documentos da Torre do Tombo, pag. 122)

Genealogia de Pero Vaz da Cunha, o Bisagudo

1. Álvaro Pais
Chanceler de D.- Pedro I e de D. Fernando I, figura destacada do patriciado urbano de Lisboa, foi um dos principais aclamadores e apoiantes do Mestre de Avis, o qual subido ao Trono, perante a recusa de Álvaro Pais em manter aquelas funções, nomeou, por sua indicação, seu enteado, o Dr. João das Regras, filho da segunda mulher de Alvaro Pais, Sentil Esteves.
Álvaro Pais casou 1º com Leonor Giraldes, da qual teve:
2. Diogo Álvares Pais
Mestre Sala dos Reis D. João I e D. Duarte. C.c.Inês Álvares.
3. Luis Álvares Pais
Mestre Sala de D. Afonso V. C.c.D. Teresa de Albuquerque, fª de Gonçalo Vasques de Melo, I Sr. de Castanheira, Povos e Cheleiros, etc, e de Isabel de Albuquerque (fª de Vasco Martins da Cunha, o Velho, e de D. Teresa de Albuquerque)
3. Gonçalo Vaz de Melo, que segue
3. Pero Vaz da Cunha, o Bisagudo
C.1ºc. Maria Pais, fª de Paio Rodrigues Pais, Cavaleiro dos reinados de D. Duarte e D. Afonso V, Escrivão da Fazenda e Contador de Lisboa e de Isabel Nunes, de Portalegre; c.2º c. Helena da Costa, sobrinha do Cardeal D. Jorge da Costa. Sem geração de ambos os casamentos.
3. Gonçalo Vaz de Melo
Mestre Sala de D. Afonso V e de D. João II. C.c.D. Inês de Brito, fª de Mem de Brito, Sr. do Morgado de Santo Estevão de Beja, e de D. Guiomar de Melo
4. Jorge de Melo, " o Bochechas"
Mestre Sala de D. Manuel I, Capitão da Ilha do Ano Bom, na Guiné, c.c. Isabel Pereira, fªa de Gonçalo Vaz de Castelo Branco, Sr. de Vila Nova de Portimão, do Morgado da Póvoa, Governador da Casa do Cível, e de D.Brites Valente
5. D. Joana Pereira
C.c. D. Álvaro de Abranches, Mestre Sala de D. Manuel I e de D. João III, Capitão de Tanger e Azamor, Sr. do Morgado dos Almada-Abranches, fº de D. João de Abranches, Conde de Oliva, Barão de São Vicente de Lobregal e de Molina de Rei, Sr. do Morgado dos Almada-Abranches, e de D. Mecia da Cunha
6. D. Pedro de Abranches
Mestre Sala de D. João III, Comendador de Ansiães, Embaixador a Carlos V. C.c. Brites de Noronha, fª herdeira de Pedro Pantoja, Alcaide-Mor de Tavira, Comendador de Santiago de Cacém, na Ordem de Santiago, e de D. Margarida de Mendoça
7. D. Joana de Noronha
Herdeira dos Morgados dos Almada-Abranches (Mestres Sala) e dos Pantoja. C.c. Francisco de Mendoça Furtado, IV Alcaide-Mor de Mourão, Governador e Capitão General de Mazagão, etc

Com geração em Bivar Weinholtz que segue neste blogue em "O Castelo de Mourão e os seus Alcaides Mores"

Luis Bivar de Azevedo


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