Pedro Vaz da Cunha, o Bisagudo, e o seu mapa-mundo

Pedro Vaz da Cunha, o Bisagudo, alcunha que lhe deram por caçar com um cajado de 2 pontas ferradas, foi o Capitão-Mor da Armada de 20 naus, que zarpou do Tejo, em Janeiro de 1489, rumo ao Senegal, levando de regresso o Rei Bemoin Gelem. Este havia ido a Portugal solicitar apoio a D. João II no conflito que o opunha ao "Grande Foula", o Rei Galacho, que dominava a região. Bemoin oferecia em troca terras suas, com vista à construção de uma fortaleza e à instalação de uma feitoria portuguesas. Durante a sua estadia em Portugal, Bemoin foi baptizado, recebendo o nome de D. João, sendo armado cavaleiro pelo soberano português.
Pedro Vaz Bisagudo, violando as instruções reais, matou Bemoin à chegada ao Senegal, aparentemente por suspeita de traição. João de Barros, no entanto, avança outra razão: "...o que mais condenou à morte D. João Bemoin foi começar alguma gente adoecer por ser lugar doentio que ele, Pero Vaz, mais temeu que a traição como quem havia de ficar na fortaleza depois que fosse feita." (Década I, Liv.III, Cap.VIII).
Regressado ao Reino, Pero Vaz não foi castigado, sendo este facto justificado pelos cronistas Rui de Pina e Garcia de Resende com o receio o Rei de que se descobrissem outros culpados... É, porém, possível que tivesse havido outra razão.
Com efeito, , sabe-se que o Bisagudo era possuidor de um mapa onde se assinalava a "tera firme", que seria o Brasil. Esse mapa, segundo alguns autores, era uma reprodução do mapamundi de Andrea Bianco (1448), onde aparece a "ixola otintiche a ponête 1500 mile". Desde 1486 havia a presunção de que do outro lado do oceano se estendia uma "terra firme", com localização de tal maneira aproximada, que levaria Mestre João Farás, piloto da Armada de Pedro Álvares Cabral, a escrever uma carta, de Vera Cruz, ao Rei D. Manuel I, em 1 de Maio dse 1500, cujo teor é o seguinte:"Quanto, Senhor, ao sítio desta terra, mande Vossa Alteza trazer um mapamundi que tem Pero Vaz Bisagudo, e por aí poderá verVossa Alteza o sítio desta terra,porém, aquele mapamundi não certifica esta terra ser habitada, ou não. É mapamundi antigo; e ali falará Vossa Alteza também a Mina (Alguns documentos da Torre do Tombo, pag. 122)

Genealogia de Pero Vaz da Cunha, o Bisagudo

1. Álvaro Pais
Chanceler de D.- Pedro I e de D. Fernando I, figura destacada do patriciado urbano de Lisboa, foi um dos principais aclamadores e apoiantes do Mestre de Avis, o qual subido ao Trono, perante a recusa de Álvaro Pais em manter aquelas funções, nomeou, por sua indicação, seu enteado, o Dr. João das Regras, filho da segunda mulher de Alvaro Pais, Sentil Esteves.
Álvaro Pais casou 1º com Leonor Giraldes, da qual teve:
2. Diogo Álvares Pais
Mestre Sala dos Reis D. João I e D. Duarte. C.c.Inês Álvares.
3. Luis Álvares Pais
Mestre Sala de D. Afonso V. C.c.D. Teresa de Albuquerque, fª de Gonçalo Vasques de Melo, I Sr. de Castanheira, Povos e Cheleiros, etc, e de Isabel de Albuquerque (fª de Vasco Martins da Cunha, o Velho, e de D. Teresa de Albuquerque)
3. Gonçalo Vaz de Melo, que segue
3. Pero Vaz da Cunha, o Bisagudo
C.1ºc. Maria Pais, fª de Paio Rodrigues Pais, Cavaleiro dos reinados de D. Duarte e D. Afonso V, Escrivão da Fazenda e Contador de Lisboa e de Isabel Nunes, de Portalegre; c.2º c. Helena da Costa, sobrinha do Cardeal D. Jorge da Costa. Sem geração de ambos os casamentos.
3. Gonçalo Vaz de Melo
Mestre Sala de D. Afonso V e de D. João II. C.c.D. Inês de Brito, fª de Mem de Brito, Sr. do Morgado de Santo Estevão de Beja, e de D. Guiomar de Melo
4. Jorge de Melo, " o Bochechas"
Mestre Sala de D. Manuel I, Capitão da Ilha do Ano Bom, na Guiné, c.c. Isabel Pereira, fªa de Gonçalo Vaz de Castelo Branco, Sr. de Vila Nova de Portimão, do Morgado da Póvoa, Governador da Casa do Cível, e de D.Brites Valente
5. D. Joana Pereira
C.c. D. Álvaro de Abranches, Mestre Sala de D. Manuel I e de D. João III, Capitão de Tanger e Azamor, Sr. do Morgado dos Almada-Abranches, fº de D. João de Abranches, Conde de Oliva, Barão de São Vicente de Lobregal e de Molina de Rei, Sr. do Morgado dos Almada-Abranches, e de D. Mecia da Cunha
6. D. Pedro de Abranches
Mestre Sala de D. João III, Comendador de Ansiães, Embaixador a Carlos V. C.c. Brites de Noronha, fª herdeira de Pedro Pantoja, Alcaide-Mor de Tavira, Comendador de Santiago de Cacém, na Ordem de Santiago, e de D. Margarida de Mendoça
7. D. Joana de Noronha
Herdeira dos Morgados dos Almada-Abranches (Mestres Sala) e dos Pantoja. C.c. Francisco de Mendoça Furtado, IV Alcaide-Mor de Mourão, Governador e Capitão General de Mazagão, etc

Com geração em Bivar Weinholtz que segue neste blogue em "O Castelo de Mourão e os seus Alcaides Mores"

Luis Bivar de Azevedo


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