Quinta da Ribeira de Caparide II

QUINTA DA RIBEIRA DE CAPARIDE II

 Com vista a completar a notícia oportunamente dada neste blogue sobre a quinta em referência, vimos juntar alguns dados que julgamos significativos.

. A quinta fazia parte da herança de Brites Mendes de Brito, filha herdeira de Diogo Mendes de Brito e neta de Simão Pires de Solis, figura conhecida da comunidade cristã-nova de Lisboa, que terá adquirido, em 1592, a propriedade do Campo de Sant'Ana, onde, em 1748, seria construído o palácio dos Sanches de Brito.

. Estamos convencidos que o mesmo Simão Pires de Solis, terá adquirido, pela mesma altura, ou seja, em finais do século XVI, princípios do Século XVII, a Quinta da Ribeira de Caparide, que por herança passaria a sua neta Brites Mendes de Brito, casada com Nuno Dias Sanches (+1630), filho de Manuel Dias Sanches, Provedor dos Armazéns (1581-1598).

. Desse casal nasceu Francisco de Brito Sanches, proprietário documentado da quinta, casado com Maria da Silva Peixoto, deles nascendo Alvaro Sanches de Brito, em 27.12.1656, que intercalava a sua residência entre as casas nobres do Campo de Sant'Ana e a sua Quinta de Caparide.

. Alvaro Sanches de Brito não casou, mas teve de Antónia Maria da Costa, natural de Caparide, a João da Costa de Brito, que foi Capitão de Mar-e-Guerra e Cavaleiro da Ordem de Cristo, senhor da Quinta de Caparide, tendo iniciado a construção do palácio dos Sanches de Brito no Campo de Sant'Ana, em Lisboa.

. João da Costa de Brito não casou, mas teve de Teresa Clara de Jesus, natural de Lisboa, a José Sanches de Brito (1724-1797), Tenente General e Almirante da Armada, Fidalgo da Casa Real, Comendador de Santa Maria de Lagoa, na Ordem de Cristo, senhor da Quinta de Caparide, que veio a casar com Louise Margarethe Eleanor de Weinholtz, Açafata da Rainha D. Mariana de Austria, filha  de Friedrich Jakob de Weinholtz, dos Weinholtz de Rendsburg ( Sleswig-Holstein), oficial de artilharia que se distiguiu ao serviço de Frederico IV, Rei da Dinamarca e do Imperador Carlos VI, inventor da "artilharia Weinholtz", sendo convidado para reorganizar a Artilharia portuguesa, de que foi coronel e o primeiro Comandante do Regimento de Artilharia da Corte, aquartelado no Forte de São Julião da Barra, e de sua mulher Marie Elisabeth de Wedderkop, dos Barões (Freiherren) de Wedderkop, de que a figura mais conhecida é Magnus de Wedderkop (1637-1721), jurista, diplomata, Primeiro-Ministro do Ducado de Holstein, sob os Duques Friedrich e Karl Friedrich. 

. Como nota complementar, diremos ainda que os Weinholtz em Portugal são representados na actualidade pela família Bivar Weinholtz, descendente do Brigadeiro Friedrich Antonius Jakob de Weinholtz, irmão primogénito da referida Louise Margarethe Eleanor de Weinholtz, casado com Feliciana Teutónia de Bivar Albuquerque de Mendoça, VI Senhora da Casa Bivar.

. Foi o casal Sanches de Brito-Weinholtz que fez construir, por volta de 1759, o palácio da Quinta da Ribeira de Caparide, que ostenta na sua parte frontal o escudo composto de Weinholtz e Sanches de Brito (Costa, Sanches e Brito), encimado por um coronel de nobreza.

. Desse casal foi filho primogénito Alvaro Sanches de Brito, Capitão de Mar-e-Guerra da Armada Real, Fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo, que sucedeu na propriedade da Quinta e respectivo palácio, não tendo casado, mas havido uma filha natural, no Brasil, falecida solteira, em vida de seu pai.

. Alvaro Sanches de Brito venderia a Quinta da Ribeira de Caparide, antes de 1796 (ano do seu falecimento), a Francisco Duarte Coelho, Fidalgo da Casa Real, que em 1839 casou com Maria da Penha de França Baena Falcão de Magalhães, nascendo duas filhas deste casamento. Esta senhora, enviuvando em 1843, voltou a casar, em 1850, com seu primo D. Martinho de França Pereira Coutinho, passando a Quinta, julgamos que por acordo negocial, para a posse deste casal e sua descendência, até que, em 1984, os Pereira Coutinho chamados "da Quinta da Ribeira de Caparide", vendem a Quinta e palácio ao Patriarcado de Lisboa, que aí instalou o Seminário de São José.

Luis Bivar de Azevedo



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